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Holding Familiar Funciona Para Pequeno Patrimônio? Valores Mínimos, Custos e Alternativas

  • Foto do escritor: cassio bezerra
    cassio bezerra
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

A Holding Familiar é uma estratégia de planejamento sucessório e gestão patrimonial que ganhou notoriedade por sua eficácia na proteção de grandes fortunas e na otimização tributária. Contudo, surge uma dúvida frequente para muitos empreendedores e famílias: a Holding Familiar é uma solução viável e vantajosa para quem possui um patrimônio considerado pequeno ou modesto?

A resposta direta é: Sim, pode funcionar e trazer benefícios significativos. Embora o senso comum associe a holding apenas a grandes fortunas, a realidade é que os benefícios de organização, sucessão e proteção podem ser cruciais para quem está construindo seu patrimônio, independentemente do seu tamanho atual.

O Que Caracteriza um "Pequeno Patrimônio" no Contexto de uma Holding?

Não existe um valor mínimo legalmente estabelecido para a criação de uma Holding Familiar no Brasil. O conceito de "pequeno patrimônio" é relativo e varia conforme a região e a capacidade de investimento da família.


Em termos práticos, para o contexto de uma holding, podemos considerar um "pequeno patrimônio" aquele composto por:


  • 1 a 3 Imóveis (residenciais ou de aluguel), geralmente com valor total que não ultrapassa R$500 mil a R$ 1.5 milhões.


  • Participações Societárias de Baixo Volume (no caso de empresários individuais ou sócios de pequenas empresas).


  • Investimentos financeiros que não configuram uma grande concentração de capital.


O Ponto Crucial: O valor do patrimônio é menos importante do que a sua composição e a necessidade de organização e proteção da família.


Benefícios da Holding Para Pequenos Patrimônios

Muitas vezes, é exatamente o pequeno patrimônio que mais precisa de proteção contra os custos e a morosidade do inventário. Os principais benefícios incluem:


1. Planejamento Sucessório Simplificado e Econômico

O maior diferencial para o pequeno patrimônio é evitar o inventário. Em um inventário judicial ou extrajudicial, os custos podem consumir uma parcela significativa dos bens, tornando a sucessão cara e, em alguns casos, inviável.


  • Inventário Tradicional (Custos Estimados): Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) (2% a 8% sobre o valor dos bens, variando por estado) + Custas Judiciais/Cartório (até 5%) + Honorários Advocatícios (5% a 20%). Totalizando, em média, 15% a 25% do patrimônio nos casos mais simples.


  • Holding Familiar (Sucessão): A transferência das cotas sociais para os herdeiros é feita em vida, com menor incidência de impostos (em muitos casos, aproveitando a isenção do ITCMD sobre doação de cotas até certo limite) e reduzindo drasticamente os honorários e custas.


2. Proteção Patrimonial (Blindagem)

Ao integralizar o patrimônio na Holding (Pessoa Jurídica), ele se separa da pessoa física dos sócios. Isso oferece uma camada de proteção contra credores, exceto em casos de fraude ou desvio de finalidade.


Para o pequeno empreendedor ou profissional liberal, essa separação é vital. Em caso de dívidas pessoais ou profissionais, o patrimônio familiar (imóveis) estará mais resguardado.


3. Gestão e Organização dos Bens

A Holding transforma a propriedade de bens em cotas sociais. Isso facilita a administração conjunta (especialmente quando há múltiplos proprietários ou imóveis de aluguel) e simplifica futuras transações.


Os Custos e o "Ponto de Equilíbrio"

O principal fator que faz muitos considerarem a Holding inviável para pequenos patrimônios são os custos iniciais e de manutenção.


Custos Iniciais (Investimento)

Descrição do Custo

Estimativa Média (Pequeno Patrimônio)

Observação

Honorários Advocatícios e Contábeis (Criação da PJ e Estruturação)

R$ 5.000 a R$ 30.000

Varia conforme a complexidade e a região.

Registro e Taxas Governamentais (Junta Comercial, CNPJ)

R$ 500 a R$ 2.000

Valores de registro da Pessoa Jurídica.

Imposto de Transmissão (ITBI ou ITCMD na integralização)

Varia (0% a 8%)

Depende do município e se a integralização é pelo valor declarado ou de mercado.

Custos de Manutenção

Descrição do Custo

Estimativa Média (Mensal/Anual)

Observação

Contabilidade Mensal

R$ 300 a R$ 800/mês

Essencial para manter a conformidade fiscal.

Impostos Anuais (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS)

Conforme o Regime Tributário e Atividade

Pode haver economia tributária na locação de imóveis (Pessoa Jurídica vs. Pessoa Física).


O "Ponto de Equilíbrio" é alcançado quando a economia gerada no futuro (evitando o inventário) supera o investimento inicial e os custos de manutenção da Holding.


Geralmente, um patrimônio que gere algum tipo de renda (aluguéis, por exemplo) ou que tenha um valor total que, se submetido a inventário, custaria mais de R$100.000 em taxas e impostos, já justifica a análise da Holding.


Alternativas para o Pequeno Patrimônio

Caso os custos de implantação da Holding Familiar sejam realmente proibitivos ou o patrimônio seja muito pequeno e de baixa complexidade, existem alternativas que podem oferecer proteção e facilidade sucessória:


1. Doação com Usufruto

O proprietário doa o bem em vida aos herdeiros, reservando para si o direito de usufruto (uso ou aluguel) até sua morte. Paga-se o ITCMD no momento da doação (em vida), mas evita-se o inventário. Pode ser uma excelente alternativa para o único imóvel de moradia.


2. Previdência Privada (VGBL/PGBL)

Valores aportados em planos de previdência privada (especialmente o VGBL) não são considerados herança, não entram no inventário e não sofrem a incidência do ITCMD na maioria dos estados. É uma forma eficiente de proteger e transferir capital financeiro.


Conclusão: Priorize a Organização

Para o pequeno patrimônio, a Holding Familiar não é apenas uma questão de economia tributária (que muitas vezes é marginal), mas sim uma ferramenta poderosa de organização familiar, proteção contra riscos e, principalmente, uma garantia de que o patrimônio construído não será diluído em custas e impostos no momento do inventário.


Antes de descartar a Holding por considerá-la "apenas para ricos," procure um especialista em planejamento sucessório. Uma análise de custo-benefício personalizada revelará se o investimento inicial compensará a paz de espírito e a segurança patrimonial que sua família terá no futuro. É perfeitamente possível e, em muitos casos, recomendável que o pequeno patrimônio utilize a holding como alicerce para seu crescimento futuro.

 
 
 

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